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Vendas de Natal devem ter maior alta em sete anos, indicando retomada mais forte em 2020

A liberação dos saques do FGTS, o cenário de juros e inflação mais baixos e as melhores condições de crédito impulsionaram as vendas na reta final do Natal e fizeram a Confederação Nacional do Comércio (CNC) rever suas estimativas. A organização espera que o varejo registre alta de 5,2% nos negócios, o melhor Natal em sete anos.

Para analistas, o desempenho do comércio na temporada de festas de fim de ano indica uma maior expansão do consumo das famílias e um ritmo mais forte de retomada da economia em 2020. Para que os investimentos acompanhem, porém, eles avaliam que é preciso continuidade das reformas para aumentar a confiança dos empresários.

Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, o prazo de financiamento aumentou em 10% neste Natal em relação ao do ano passado, permitindo a compra de itens mais caros. Isso ocorreu porque as instituições, explicou, perceberam um risco menor de calote. O Natal é a principal data comemorativa do varejo brasileiro, devendo movimentar R$ 36,3 bilhões este ano, segundo a CNC.

— Esse movimento de maior consumo vai continuar em 2020, já que o mercado de trabalho vem dando sinais de melhoras. Em novembro, a geração de postos foi a maior desde 2010 — disse Bentes. — A chave para o crescimento no ano que vem será o emprego, já que os juros e a inflação devem continuar no mesmo patamar.

Bentes avalia que 26% dos 91.600 mil temporários contratados neste fim de ano no comércio sejam efetivados, percentual bem maior que os 15% dos últimos quatro anos.

Diante desse cenário, a CNC prevê uma alta entre 5,5% e 6% no comércio para 2020, maior que os 4,6% deste ano. Os indicadores consideram o chamado varejo ampliado, que inclui automóveis e material de construção.

Revisão de projeções

Jason Vieira, economista-chefe do departamento macroeconômico da Infinity Asset Management, avalia que o consumo maior das famílias, motor do Produto Interno Bruto (PIB), é o que vem impulsionando a atividade econômica. Por isso, ele pretende revisar o crescimento da economia para 2020, que hoje é de 2,2%. Este ano, a previsão já subiu, de 0,8% para 1,2%.

Provavelmente, o número de 2020 será maior. O mercado acredita em um crescimento mais forte. A intensidade vai depender da agenda de reformas, como a tributária. A dúvida é saber o quanto do otimismo do empresário vai se reverter em investimento.

A contadora Cíntia de Souza aproveitou a manhã desta véspera de Natal para fazer compras de decoração para a festa na Saara, Centro do Rio. Ela já havia gasto R$ 600 em duas blusas do Corinthians para o marido:

— Só não comprei mais porque não tive tempo. As coisas vão melhorar.

A loja Biju Pet contratou seis funcionários extras em outubro e decidiu mantê-los no quadro:

— Esperamos que as vendas aumentem em 2020 — diz a gerente Claudia Reis.

Na opinião de Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, o consumo vai continuar crescendo em 2020 na esteira deste fim de ano. Ele cita, além das questões internas, um ambiente externo mais propício ao crescimento, com a política expansionista de Bancos Centrais da Europa. Assim como Vieira, da Infinity Asset Management, ele ressalta que a dúvida é quanto ao nível de investimentos no país:

— Ainda é cedo para saber se o nível de confiança deste fim de ano vai ser suficiente para elevar a intenção dos empresários em investir.

Principal centro de comércio popular de São Paulo, a Rua 25 de Março, no Centro da capital, recebeu cerca de 600 mil pessoas nesta terça, segundo estimativa da Univinco, associação que representa os lojistas. As previsões indicam faturamento maior este ano, em dezembro, entre 7% e 9% em relação a 2018. Os recursos sacados do FGTS estão turbinando as vendas, dizem lojistas e associações que representam os comerciantes.

— Este ano, as pessoas estão comprando presentes mais caros. Deixaram de lado as lembrancinhas como carrinhos ou bonequinhas de R$ 5 e compraram bonecas mais caras, de até R$ 79,99 — disse Ondamar Ferreira, gerente da Armarinhos Fernando, a maior loja da região.

Varejo paulista

O maior otimismo dos lojistas e consumidores com as vendas este ano também aparaceu nas previsões da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), que estima crescimento de 7% das vendas no varejo paulista em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

ó hoje gastei R$ 500 em roupas e brinquedos para meus filhos e netos. Minhas dívidas estão quitadas — diz Janete Teixeira, que trabalha como ajudante de cozinha.

Mas nem todos compartilham do mesmo otimismo em relação a 2020. A aposentada Flora Arruda, de 65 anos, reduziu um pouco o número de presentes em relação ao ano passado. Este ano gastou R$ 1 mil em compras, frente aos R$ 1.500 do ano anterior.

— Vamos ver se a economia cresce. O governo ainda não achou um rumo — diz ela.

Fonte: O GLOBO


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