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SAÚDE

‘Vacina ainda deve ser encarada como plano B’, diz vice-presidente da Fiocruz

 A vacina contra o novo coronavírus ainda precisa ser encarada como um “plano B” no enfrentamento à pandemia, uma vez que um primeiro lote de 15 milhões de doses só está previsto para janeiro de 2021, e sem a garantia de registro imediato pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A estratégia central — o plano A — deve continuar sendo a testagem para detecção da infecção, o uso de máscaras e medidas de distanciamento social.

A posição é do vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Krieger. Ele coordena o comitê de acompanhamento científico do desenvolvimento de vacinas para Covid-19 e integra a comissão que acompanha a chegada ao Brasil da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido.

— A vacina hoje tem de ser encarada como um plano B. No melhor cenário, chegará daqui a alguns meses. É preciso ter um pouco de paciência. Até lá, o enfrentamento à pandemia precisa ser feito com testagem, uso de máscara e dinâmica de distanciamento — diz o representante da Fiocruz ao GLOBO.

Krieger participou da primeira reunião entre Fiocruz e Anvisa, no último dia 19, para discutir o registro de um produto ainda em fase de desenvolvimento e testes. São realizados estudos clínicos de fase 3 no Brasil, a partir de uma aprovação da Anvisa em junho. A reunião alimentou a expectativa por uma disponibilidade mais célere da vacina de Oxford, aposta do governo brasileiro para a imunização da população.

Um acordo do governo com a indústria farmacêutica AstraZeneca, parceira de Oxford, prevê o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina. A fabricação da maior parte do imunizante caberá à Fiocruz, que receberá transferência de tecnologia, conforme o acordo firmado.

Na estrutura da Fiocruz, a produção se concentra no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). Mas, segundo Krieger, ainda é preciso ter “paciência” antes de considerar a vacina como um fato consolidado.

eger afirma que o processo em curso busca “antecipar o máximo possível” a produção da vacina, mas sem “queimar etapas”. O vice-presidente da Fiocruz critica o que chama de “guerra de narrativas”, numa referência à corrida pela viabilização de outras vacinas, como a russa, pela qual o governo do Paraná já manifestou interesse, e a chinesa, objeto de uma parceria com o Instituto Butantan, do governo de São Paulo.

— É muito provável que a gente tenha mais de uma vacina — afirma Krieger.

A Fiocruz espera o fim dos estudos clínicos da vacina de Oxford até o fim do ano. As primeiras doses seriam recebidas em dezembro e, em janeiro, a instituição teria prontas 15 milhões de vacinas. No mesmo mês, mais 15 milhões seriam finalizadas, segundo a expectativa do vice-presidente de Produção.

Os outros 70 milhões seriam produzidos diretamente por Bio-Manguinhos, a partir da transferência de tecnologia e produção própria do chamado insumo farmacêutico ativo. Isto começaria a ocorrer em março, com finalização até o fim do primeiro semestre de 2021.

A finalização das primeiras 15 milhões de doses não significaria uma disponibilidade automática para vacinação. Ainda estarão pendentes os resultados dos ensaios clínicos e o registro da Anvisa. Este registro depende da produção, pois são analisados fatores como pureza e esterilidade, segundo Krieger. Pelo menos três lotes, com 400 mil doses cada, precisam estar prontos.

— A chegada da vacina não significa que ela pode ser usada. A vacina mais rápida até hoje foi feita em cinco anos. E os estudos clínicos vão ser fundamentais para dizer quantas doses serão necessárias por pessoa, quais serão as faixas etárias. Eles garantirão a segurança — diz o vice da Fiocruz.

Do ponto de vista de capacidade de produção, a Fiocruz conseguirá suprir a demanda, segundo ele:

— Já tivemos experiências passadas. No surto de febre amarela, aumentamos a produção de 15 milhões para 70 milhões de doses.

O destino das primeiras doses caberá ao programa nacional de imunização, conforme Krieger. Ele afirma que uma possibilidade é que os 15 milhões de doses sejam destinados a profissionais de saúde, populações vulneráveis, como os indígenas, e em regiões por onde a pandemia ainda esteja avançado, dependendo do quadro epidemiológico do momento.

A inviabilidade da vacina de Oxford segue sendo uma possibilidade, mas o vice-presidente da Fiocruz afirma que as evidências científicas apontam para uma aprovação da vacina.

— Esse risco foi assumido. Mas o risco maior era, sem a parceria, não ter a vacina para o ano que vem.

Fonte: O GLOBO


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