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SAÚDE

União Europeia aposta no plasma sanguíneo em busca de tratamento contra a Covid-19

A União Europeia quer acelerar o financiamento para tratar pacientes infectados com a Covid-19 com plasma sanguíneo coletado de sobreviventes, mostra um documento da UE obtido pela Reuters, em um sinal da crescente confiança do bloco no tratamento.

A medida também destaca a abordagem mais assertiva adotada pela entidade na corrida para encontrar medicamentos e vacinas eficazes contra o novo coronavírus.

A Comissão Europeia, o braço executivo da UE, convidou autoridades nacionais hematológicas a solicitarem um possível financiamento de emergência até esta sexta-feira, 10 de julho, para aumentar o estoque de plasma convalescente, obtido de pessoas que se recuperaram da Covid-19.

Os fundos poderiam ser usados para comprar equipamentos para coletar, armazenar e testar plasma convalescente, acrescentou o documento, afirmando que o dinheiro poderia derivar do Instrumento de Suporte de Emergência (ESI), um fundo europeu para emergências.

O uso do ESI poderia permitir que recursos financeiros fossem fornecidos este ano. Normalmente, os projetos de financiamento da UE são planejados com anos de antecedência.

Até agora, o dinheiro do ESI, 2,7 bilhões de euros (US$ 3 bilhões), só foi utilizado para a compra de máscaras faciais escassas no auge da pandemia na Europa e a compra antecipada de potenciais vacinas contra a Covid-19.

Mais de 300 milhões de euros foram gastos e cerca de 2 bilhões serão destinados à compra de possíveis vacinas, disseram autoridades da UE à Reuters. Isso deixa cerca de 400 milhões de euros disponíveis.

A utilização do ESI ainda está sendo considerada, observou a Comissão em seu documento.

No Brasil

Pioneiro em aplicar o tratamento experimental de plasma de convalescentes contra a Covid-19, o estado do Rio já seus primeiros resultados. Foram tratados pacientes graves atendidos pelo Instituto Estadual do Cérebro (IEC) e um estudo está à espera de publicação em revista científica. Paulo Niemeyer Filho, diretor- médico do IEC, vê no plasma um caminho promissor para bloquear o agravamento da doença.

— O plasma de convalescentes trará maiores benefícios a pacientes de enfermarias, para bloquear o avanço da doença. Aprendemos na UTI lições que podem contribuir para evitar que os doentes com Covid-19 precisem delas— diz.

O diretor do IEC salienta que a infusão de plasma com anticorpos das pessoas que se curaram da Covid-19 é um processo relativamente simples e. Por isso, poderia ser usado em municípios sem boa infraestrutura. A premissa é que, em tese, os anticorpos presentes no plasma atuam contra a multiplicação do coronavírus.

Aposta global

Desde o início da pandemia, médicos em todo o mundo têm transfundido plasma convalescente em pacientes com Covid-19 em estado crítico, geralmente com resultados positivos, embora sua eficácia ainda esteja sob investigação.

As pessoas que sobrevivem a uma doença infecciosa, como o novo coronavírus, ficam com o plasma sanguíneo contendo anticorpos ou proteínas produzidas pelo sistema imunológico do corpo para combater um vírus, que pode ser transfundido em pacientes recém-infectados para tentar ajudar na recuperação.

O plasma, que é o componente líquido do sangue, também está sendo testado pelas autoridades públicas e empresas para desenvolver medicamentos contra a Covid-19, como as globulinas hiperimunes.

Pesquisas separadas estão em andamento sobre seu possível uso para prevenir infecções pelo novo coronavírus, já que os anticorpos extraídos dela podem ser transfundidos para aumentar as defesas de imunidade de pessoas vulneráveis.


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