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BRASIL

Trabalho intermitente cresce 70% em um ano

Dois anos após a aprovação da reforma trabalhista, o trabalho intermitente — modalidade criada pelas novas regras e na qual o funcionário pode ser chamado ao serviço apenas algumas vezes por semana — decolou. Em novembro, 12% das vagas criadas com carteira assinada no país foram de trabalho intermitente.

Ao todo, 11.354 dos 99.232 postos abertos no mês passado foram deste tipo, um recorde. Empresas de diferentes portes já aderiram ao modelo, incluindo grandes redes como Lojas Renner, Magazine Luiza, Burger King e hotéis Hilton.

Se nos primeiros 12 meses após a reforma (que foi aprovada em novembro de 2017) apenas 47.729 vagas foram criadas com trabalho intermitente, nos últimos 12 meses foram 82.536: um salto de 70%.

Especialistas afirmam que este tipo de contrato, que garante salário e direitos como férias e décimo terceiro proporcionais aos dias trabalhados, é mais precário do que o modelo convencional, mas serve de porta de entrada para quem está fora do mercado.

O carioca Jonathan Machado, de 31 anos, ficou um ano e meio desempregado, período em que começou a trabalhar como ambulante, e conseguiu uma vaga intermitente de organizador de público nas lojas do Burger King. No início, era chamado de duas a três vezes por semana para cobrir folga de outros funcionários.

 Morador de Madureira e pai de duas crianças, ele conta que durante o período em que não era chamado para o serviço, continuou a vender doces no trem e água na praia. Após um mês trabalhando como intermitente, a empresa decidiu contratá-lo por prazo indeterminado, pelo modelo convencional de contrato.

— Trabalhei como camelô durante meses e era algo muito imprevisível. Se fazia frio, vendia chocolate no trem, se fizesse calor, ia para praia vender água. Com o contrato intermitente, tinha pelo menos as diárias garantidas. Achei que seria uma oportunidade de mostrar o meu serviço e ir aprendendo a rotina de trabalho. Deu certo. O mercado está difícil e ter uma carteira assinada traz segurança.

A tendência é que o trabalho intermitente continue aumentando seu peso na economia, avalia Daniel Duque, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV).

— As empresas entenderam que a modernização trabalhista traz mais competitividade. Com o contrato intermitente, elas podem modelar sua contratação de acordo com a demanda, como feriados e períodos de férias. Setores que trabalham com capacidade ociosa têm maior potencial de adesão ao modelo.

Demanda no varejo

Para o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, o trabalho intermitente é um caminho para reduzir a informalidade, garantindo seguridade ao trabalhador. Em plataformas de recrutamento, varejistas como Magazine Luiza, Renner e Riachuelo anunciaram nas últimas semanas vagas intermitentes para assistente de loja. Procuradas, as redes não deram detalhes sobre as contratações.

De acordo com dados do Ministério da Economia, a ocupação que mais contratou trabalhadores intermitentes no mês de novembro foi assistente de vendas (7,3 mil), seguida por servente de obras (2,7 mil), cozinheiro geral (1,9 mil), faxineiro (1,8 mil) e garçom (1,7 mil).

Expansão de negócios

Até novembro de 2018, a Russel tinha 495 colaboradores, dos quais 53% eram intermitentes. Este ano, a equipe cresceu para 1.200 profissionais, dos quais 62% são intermitentes. A empresa atua com intermediação de mão de obra em mais de dez setores como construção civil, offshore, decoração e varejo, explica o fundador do negócio, Hugo Leonardo.

— O contrato intermitente proporcionou uma relação mais flexível com o colaborador, mas também uma abertura maior de contratação. Antes, precisava aproveitar o funcionário em várias empresas e a dinâmica era mais intensa. Quando não tinha empresa, alocava o colaborador na própria sede. Agora, podemos ter contratos mais espaçados, garantindo mais atenção e cuidado com o funcionário, de acordo com sua necessidade e a do cliente.

Após a aprovação da reforma, a empresa expandiu os negócios para além da região Sudeste, chegando a Salvador e Curitiba, e hoje atende empresas como CSN, Hortifruti, MetrôRio, Furnas e CCR.

Fonte: O GLOBO

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