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SAÚDE

Teste e rastreamento de casos de coronavírus podem reduzir taxa de infecção em até 26%

A combinação de testagem e rastreamento eficazes para casos de coronavírus pode reduzir a taxa de infecções em até 26%, segundo pesquisa divulgada esta terça-feira pelo Imperial College London. A instituição, no entanto, reivindica que ambas as estratégias sejam complementadas por políticas de isolamento social para impedir eventuais surtos de Covid-19.

Segundo o estudo, o teste por si só não é suficiente para que a taxa de reprodução do vírus (R) seja abaixo de 1 —este índice é registrado quando o número de pessoas que transmite o vírus é igual ao daquelas que serão infectadas. Por isso, o distanciamento físico ainda é necessário.

Para reduzir as infecções em 26%, segundo os pesquisadores, seria preciso identificar 80% dos casos de infecção, e, nas 24 horas seguintes, realizar testes e quarentenas com todos os indivíduos com quem a pessoa contaminada teve contato.

Além disso, alguns grupos de risco, como assistentes sociais e profissionais de saúde, devem ser periodicamente testados, mesmo sem manifestar sintomas de Covid-19, devido ao seu contato massivo com a população. Esta triagem, se for realizada semanalmente, poderia reduzir a transmissão da doença entre 20 e 30%.

— Testes eficazes são a chave para controlar a pandemia do coronavírus. Precisamos usá-los para reduzir a transmissão de duas maneiras. A primeira, identificando indivíduos infectados e seus contatos. A segunda, detectando surtos, para que bloqueios locais sejam aplicados quando for necessário — ressalta Nicholas Grassly, coautor do estudo e professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College.

Margarita Pons-Salort, coautora do estudo e também pesquisadora do Imperial College, reconhece que a transmissão do coronavírus pode ser reduzida diante da triagem regular de indivíduos assintomáticos em grupos de alto risco, assim como a aplicação do rastreamento de contato da população em geral.

— (Mas) o controle da Covid-19 não pode depender apenas dessas estratégias — adverte. — Sua eficácia depende da oportunidade de fornecer os resultados dos testes e de localizar e colocar os contatos em quarentena.

Segundo o Imperial College, a pesquisa, embora tenha sido realizada apenas no Reino Unido, pode ser relevante para a tomada de decisões políticas de outros países.

Benilton de Sá Carvalho, pesquisador de estatística e epidemiologia da Unicamp, atenta que o levantamento reflete a situação da pandemia no Brasil.

— Vemos que o número de casos e óbitos foi estabilizado em diversas regiões do país, mas em um patamar muito elevado. Não teremos melhores sem usar as informações disponíveis sobre rastreamento. Ignorar esses dados seria como continuar dirigindo um carro cujo tanque está derramando gasolina — compara.

Testar e rastrear não são suficientes, conclui Carvalho, sem a adoção de medidas mais contundentes ligadas a pessoas que testaram positivo e a quem teve contato direto com elas.

— Se houve um caso em um asilo, por exemplo, o ideal é que todas as pessoas da instituição sejam testadas, e eventualmente colocadas em quarentena. Só assim podemos evitar a ocorrência de surtos locais.

Fonte: O GLOBO


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