Publicidade
TECNOLOGIA

Por causa da pandemia, leilão do 5G fica para 2021

A pandemia do novo coronavírus deixou ainda mais distante a realização do leilão da quinta geração de telefonia móvel (5G) no Brasil. Já seria difícil fazer a licitação no fim deste ano, como queria o governo e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), antes do avanço da doença pelo mundo. Agora, técnicos que trabalham diretamente com o assunto afirmam que o leilão só vai ocorrer a partir de meados de 2021.

Diversos fatores têm contribuído para a mudança nos planos. A crise da Covid-19 reduziu a capacidade de investimento das empresas, de maneira geral.

No setor de telecomunicações, não foi diferente. Por isso, as companhias passaram a pedir mais tempo para fazer caixa e conseguirem se programar para a licitação.

O leilão é apenas o primeiro passo para a implementação dessa nova tecnologia no Brasil, que ainda dependerá da expansão da infraestrutura das operadoras de telefonia.

Nesse leilão, as teles vão disputar o direito de operar as bandas de frequência nas cidades e começar a oferecer a tecnologia. Ainda não há data prevista para a entrada efetiva da operação 5G no país.

Além de assumir a obrigação de investimentos, principalmente em regiões com baixa atratividade econômica, as empresas terão que pagar valores ao governo como outorga. Essas duas variáveis vão se somar para definir quem sairá vencedor em cada bloco de exploração das faixas de frequência.

Os valores envolvidos na operação ainda não foram definidos, mas devem girar em torno de R$ 20 bilhões, com parte importante disso tendo que ser paga ao governo logo após o leilão.

As companhias de telecomunicações também cobraram uma decisão do governo sobre a presença ou não da chinesa Huawei na construção da infraestrutura das redes de 5G no Brasil, e em que termos isso poderia ocorrer.

Por exemplo, se será limitado o percentual de participação da empresa nas redes brasileiras e se haverá bloqueios à presença da chinesa em algumas localidades ou aplicações.

A Huawei não é uma operadora de telefonia e, portanto, não participará do leilão. Mas a empresa é uma das maiores fornecedoras de tecnologia para infraestrutura 5G no mundo, ao lado da sueca Ericsson e a finlandesa Nokia.

Porém, os Estados Unidos pressionam para que países como o Brasil vetem a Huawei na construção das redes de infraestrutura com o argumento de que a empresa representa risco à segurança das informações.

A decisão sobre a presença da Huawei é importante para as empresas de telecomunicações porque isso poderá afetar o plano de investimento. Um eventual veto à chinesa pode deixar a construção da rede mais cara.

Há ainda outro problema que teve a solução adiada por conta do novo coronavírus. A pandemia atrasou os testes em campo para definir uma solução para as antenas parabólicas, que interferem no sinal do 5G.

Uma das faixas que serão leiloadas é usada para a recepção de canais abertos de televisão pela banda C, recebida nas antenas parabólicas domésticas, que captam os sinais de um satélite. Também é usada pelas emissoras de televisão em transmissões internas como, por exemplo, a recepção do sinal da cabeça de rede por uma filiada.

Anatel confirma novo prazo

Procurada, a Anatel confirmou que o leilão ficará para 2021. A agência disse que “tem envidados esforços para promover com a maior celeridade possível o que será um dos maiores leilões (senão o maior) em termos de disponibilização espectro no mundo”.

A proposta de edital de licitação traz a oferta de blocos em três faixas de frequência, tendo sido submetida à consulta pública pelo prazo de 60 dias.

Atualmente as contribuições estão sendo analisadas pelo corpo técnico da agência e, uma vez concluída essa etapa, as minutas resultantes serão objeto de avaliação jurídica, a fim de que a proposta seja encaminhada novamente ao Conselho Diretor para deliberação final.

“A esse respeito, considerando os prazos administrativos aplicáveis após a publicação do edital, espera-se que as sessões públicas da licitação ocorram em 2021”, diz a nota.

Fonte: O GLOBO


Publicidade

Anterior

Fabrício Queiroz negocia delação premiada com o MP

Seguinte

Grupo da Lava-Jato na PGR pede demissão coletiva por discordância com gestão Aras