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Policiais cercam universidades em Teerã para impedir novos protestos contra derrubada de avião

A forças de segurança iranianas montaram uma grande operação para reprimir novos protestos de estudantes universitários. Centenas de policiais – normais e tropas especiais – se posicionaram neste domingo em diversos pontos do centro de Teerã. A maioria deles se encontra ao redor das principais universidades da capital, onde protestos pediram a renúncia do líder máximo do país, o Aiatolá Ali Khamenei, neste sábado.

A reportagem do GLOBO circulou na tarde deste domingo – dia útil no Irã – pela região central de Teerã e viu grupos de cerca de 10 policiais nas esquinas de todas as saídas da Universidade de Tecnologia Amir Kabir. A maior parte deles tem em mãos cassetetes e escudos, mas alguns estão armados com fuzis. Alunos dessa instituição realizaram ontem o maior protesto contra o governo, após uma tarde de vigília para homenagear os 176 mortos na queda do avião da Ukraine Airlines, abatido por um míssil da Guarda Revolucionária do Irã.

Em uma rua perpendicular ao portão principal da universidade, em frente ao Ministério do Petróleo, estão parados ônibus com mais policiais e um caminhão preto e blindado da tropa de choque. No lado oposto, embaixo de um viaduto, cerca de 30 agentes com roupas camufladas aguardam em cima de suas motos.

Dentro do campus da universidade, existe um clima de apreensão entre os estudantes. Praticamente não há rodas de bate-papo e os jovens apenas circulam pelo local. Está programada novamente para hoje uma vigília na instituição em homenagem às vítimas do acidente aéreo. Questionado se estava com medo dos policiais armados do lado de fora, um estudante deu um sorriso e respondeu:

 Venha mais tarde para ver se estamos com medo.

Além das cercanias da instituição, grupos de policiais das força de choque também se encontram em diversos pontos da Avenida Enghelab (Revolução). Essa via praticamente conecta a Amir Kabir – que fica em uma perpendicular – com a Universidade de Teerã, a maior do país. Ao lado da estação de metrô Teatr-e Shahr (Teatro da Cidade), pararam algumas viaturas blindadas e as dezenas de policiais se concentram entre a saída do metrô e o Parque Donexju (dos Estudantes). Passageiros olham assustados para a quantidade de policiais posicionados.

Os protestos na tarde e noite de ontem eram compostos basicamente pelos estudantes, tanto na movimentação na Amir Kabir quando na Universidade Sharif. Embora seja possível que houvesse pessoas de fora, praticamente todos eram jovens. Havia pessoas com vestimentas mais conservadoras, que poderiam ter participado da cerimônia de funeral do general Qassem Soleimani. No entanto, os gritos de “Soleimani assassino” indicam que se trata em sua maior parte de um grupo diferente, até então em silêncio por conta da comoção nacional.

A Amir Kabir é considerada uma universidade de elite no Irã. Ela concentra os cursos de engenharia e tecnologia, muito valorizados pela população local. Ao contrário dos demais países, onde os cursos da área de humanas em geral concentram os estudantes mais contestadores, a instituição é um dos motores da vanguarda dos protestos, ao lado da Universidade de Teerã. Uma possível explicação é que os cursos de ciências humanas acabam sofrendo grande influência religiosa em seus currículos.

De forma geral, os estudantes iranianos compõem uma tradicional força política, que se mobilizam constantemente para demandar mudanças. Há pouco mais de 10 anos, por exemplo, durante a chamada Revolução Verde, foram os jovens universitários o principal motor dos protestos que pararam o país, após as eleições presidenciais que terminaram com a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Os Basijs – milícia da Guarda Revolucionária que atua internamente – os reprimiram duramente. No episódio mais notório, invadiram na madrugada o dormitório da Universidade de Teerã e espancaram estudantes, homens e mulheres. Cinco estudantes morreram.

Em um passado ainda mais distante, há quatro décadas, estudantes promoveram o famoso episódio da invasão da embaixada dos Estados Unidos, onde mantiveram diplomatas e servidores reféns durante meses. O evento marca a ruptura das relações diplomáticas entre americanos e iranianos.

Fonte: O GLOBO


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