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SAÚDE

Internações caem 84,5% com vacinação em massa em Botucatu

Botucatu (SP) registrou neste domingo (1º) uma redução de 84,5% no número de internações em UTIs ou enfermarias da cidade por causa da Covid-19 mais de dois meses depois da vacinação em massa, realizada em meados de maio. A cidade faz parte da pesquisa sobre a efetividade da vacina Oxford/AstraZeneca.

No dia 2 de junho, a cidade registrava um pico de internações com 97 moradores em UTIs ou enfermarias. Após cerca de 60 dias, este número caiu para 15 pacientes internados (queda de 84,5%) neste domingo. Confira os dados abaixo:

  • 2 de junho: 97 internados (pico)
  • 12 de junho: 70 internados
  • 19 de junho: 57 internados
  • 26 de junho: 54 internados
  • 4 de julho: 45 internados
  • 9 de julho: 39 internados
  • 17 de julho: 27 internados
  • 25 de julho: 22 internados
  • 31 de julho: 15 internados

No dia 24 de julho, o município já havia anunciado uma queda expressiva de 77% no número de pacientes internados com coronavírus.

Já com relação ao número de casos diários, pela primeira vez em seis semanas seguidas, a cidade registrou um aumento de 24,6% na média diária – depois de quatro semanas de quedas e duas de estabilidade –, com 177 notificações positivas na semana (média de 25 casos por dia, contra 20 da semana anterior).

Mesmo assim, Botucatu registra, após a ação de vacinação em massa, uma redução de 82,7% na média diária de novas notificações de casos em relação ao pico de registros, que aconteceu na semana de 6 a 12 de junho. Confira a evolução abaixo:

  • 16 de maio a 22 de maio: 92 casos por dia (média)
  • 23 de maio a 29 de maio: 91 casos por dia
  • 30 de maio a 5 de junho: 93 casos por dia
  • 6 de junho a 12 de junho: 141 casos por dia (pico)
  • 13 de junho a 19 de junho: 73 casos por dia
  • 20 de junho a 26 de junho: 40 casos por dia
  • 27 de junho a 7 de julho: 27 casos por dia
  • 04 de julho a 10 de julho: 19 casos por dia
  • 11 de julho a 17 de julho: 20 casos por dia
  • 18 de julho a 24 de julho: 20 casos por dia
  • 25 de julho a 31 de julho: 25 casos por dia (alta de 24,6% em relação à semana anterior)

Conforme a avaliação de Carlos Fortaleza, professor da Unesp e coordenador da pesquisa, as quedas nos índices de casos têm apresentado como consequência a redução das internações dos pacientes, o que ameniza o risco de um colapso no sistema hospitalar.

De acordo com o pesquisador, a queda seguiu a expectativa inicial de que, a partir da segunda quinzena de junho, os registros de novos casos em Botucatu iriam começar a cair.

Para o secretário municipal de Saúde, André Spadaro, a reversão da tendência de quedas no número de casos com a alta de 24,6% na última semana apenas reforça os alertas das autoridades de saúde de que, mesmo com a vacinação, as medidas básicas de prevenção (uso de máscara, higienização com álcool em gel e distanciamento social) precisam ser mantidas.

“Essas medidas precisam ser mantidas de forma rigorosa até mesmo após a aplicação da segunda dose, que começa no próximo sábado [dia 8 de agosto], mas só atinge seu efeito máximo de proteção três semanas após sua aplicação. Manter os protocolos é necessário não só para segurarmos o avanço de novos casos, como também para evitar a introdução e disseminação da variante Delta em nossa cidade”, disse Spadaro durante a live diária de balanço da pandemia deste sábado (31).

83,7% da população com a 1ª dose

Pesquisadores que acompanham o estudo de efetividade da vacina veem a queda de casos e internações como reflexo da primeira dose da Oxford/AstraZeneca, mas o acompanhamento dos números pode reforçar essa relação.

De acordo com a prefeitura, as ações de vacinação com a segunda dose vão acontecer nos dias 8 e 14 de agosto. Os moradores que receberam a primeira dose no dia 16 de maio devem completar a imunização no dia 8 de agosto, que será um domingo. Já as pessoas que receberam o imunizante no dia 22 de maio devem tomar a segunda dose no dia 14 de agosto, o sábado seguinte.

Até este domingo (1º), Botucatu ocupava o terceiro lugar no número relativo de doses aplicadas no estado de São Paulo, atrás de Uru e Borá, segundo dados do Vacinômetro. Dos cerca de 148,1 mil habitantes de Botucatu, 123.970 receberam a primeira dose, o que equivale a 83,7% da população total. A população adulta, porém, está praticamente toda vacinada, de acordo com a prefeitura.

Outros 35.535 botucatuenses tomaram a segunda dose, o que representa 24% da população, índice que deve subir consideravelmente a partir do próximo sábado.

Estudo da AstraZeneca

A vacinação em massa em Botucatu faz parte do projeto de estudo da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), elaborado pela parceria entre a prefeitura, Ministério da Saúde, Governo Federal, Unesp, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, e Fundação Gates.

Desde o dia 16 de maio, que foi chamado de “Dia D” da vacinação em massa, quando mais de 66 mil pessoas foram vacinadas em uma estrutura igual à usada nas eleições, a cidade vem realizando ações para imunizar toda a população adulta, entre 18 e 60 anos, como parte do estudo, exceto as grávidas, que só podem receber doses da CoronaVac ou da Pfizer.

No dia 22, uma nova vacinação em massa foi realizada. Mais de oito mil pessoas se cadastraram para receber o imunizante e pouco mais de cinco mil doses foram aplicadas. Também foram feitas vacinações para estudantes da Unesp e de moradores da zona rural.

No dia 11 de junho, terminou a última etapa para vacinação das pessoas que não foram imunizadas nessas ações. Uma triagem foi feita durante toda a semana, do dia 7 ao dia 11, de pessoas que se cadastraram no site da prefeitura e receberam as orientações via SMS para uma nova avaliação de documentos para poder receber a dose da vacina.

Todo o processo de cadastro e vacinação em Botucatu tem o acompanhamento e auditoria realizados pelas Forças de Segurança do Município (Guarda Civil Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar), OAB Botucatu, Justiça Eleitoral, Ministério Público e Tribunal de Justiça de São Paulo.

Sequenciamento genético

Após receber a vacina, o morador de Botucatu deve assinar um termo para autorizar, em caso positivo de Covid-19 depois da aplicação, os procedimentos para fazer o sequenciamento genético do vírus.

Essa análise do material genético de testes positivos é a principal ferramenta do estudo de efetividade. É com o sequenciamento genético que os cientistas vão descobrir se a vacina consegue reduzir tanto os casos graves da doença quanto a transmissão das variantes.

Para autorizar, é simples e seguro: basta assinar um documento. Esse tipo de termo é comum em pesquisas e foi aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão que monitora e fiscaliza a aplicação de políticas públicas do SUS. O termo garante sigilo dos dados, que só vão ser registrados pelos cientistas.

FONTE: G1


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