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Indústria do entretenimento no RJ tem 450 mil desempregados, e prejuízo deve chegar a R$ 70 bi

No salão vazio do Renascença Clube, não há batuque, pandeiros, cavaquinhos, bandolins, violões, muito menos cantos. Não há risadas, nem conversas e nem sorrisos ao redor dos músicos. Ao contrário do que há 15 anos acontece nas tardes e noites de segunda-feira, o Samba do Trabalhador está mudo.

Há três meses, o ponto de encontro de amantes do samba localizado no Andaraí, Zona Norte da cidade, não lembra em nada os escassos metros quadrados disputados de forma acirrada pelas cerca de 1 mil pessoas que, a cada sete dias, costumavam lotar ao local.

Um vazio que, de forma simbólica, reflete a situação vivida por artistas e profissionais das artes e espetáculos. Pessoas cujas finanças e meios de sobrevivência foram destruídos pela epidemia do novo coronavírus.

Segundo a Apresenta Rio, associação formada por diversas empresas da indústria do entretenimento, 1,5 milhão de pessoas que trabalhavam no setor ficaram desempregadas no Brasil desde o início da pandemia. Pelo menos 30% – 450 mil – desse total estão no Estado do Rio.

O prejuízo, como se pode antecipar, não será pequeno.

Ao lado de São Paulo, o Rio concentra a maior parte dos shows e eventos de grande porte realizados no Brasil.

Dados da associação apontam que carnaval deste ano rendeu R$ 4,1 bilhões; a edição mais recente do Rock in Rio, realizada em 2019, gerou R$ 1,7 bilhão; o Rio Open, principal torneio de tênis do Brasil e último grande evento esportivo na cidade, arrecadou R$ 130 milhões e empregou pelo menos três mil pessoas.

“O setor que agrega shows, espetáculos, eventos e turismo representa 5% do Produto Interno Bruto fluminense, fica atrás apenas da indústria de óleo e gás. Mais de 80% da cadeia de trabalho nessa área é temporária – quando não há eventos e shows, essas pessoas ficam desempregadas e impossibilitadas de pagarem suas contas. Só que nunca vivemos uma situação na qual a paralisação das nossas atividades se prolongasse de forma tão extensa”, descreve Pedro Augusto.

Luta de artistas

“É difícil, muito difícil. Nunca imaginei que viveríamos uma situação como esta”, lamenta Moacyr Luz, idealizador e principal nome à frente do Samba do Trabalhador.

O sambista enumera os profissionais que, por conta da impossibilidade da realização de shows, estão sem fonte de renda.

“Técnicos de som, cobradores de bilheteria, garçons, seguranças. As pessoas tendem a olhar apenas para quem está no palco –gente que também está com muitas dificuldades financeiras. Mas se esquecem que, por trás de cada show, há uma rede de profissionais que tornam as apresentações possíveis e que agora estão sem ter como colocar comida na mesa por causa dessa pandemia. Eles e nós, artistas, estamos em uma situação muito delicada.”

Para minimizar os efeitos provocados pelo isolamento social na vida do trabalhador do setor de espetáculos, locais tradicionais de samba no Rio de Janeiro recorreram aos meios digitais.

Por meio de sites de financiamento coletivo, o Samba do Trabalhador havia arrecadado, até esta segunda-feira (15), R$ 16.045,23 em uma campanha de doações sem metas estabelecidas.

“Temos que pensar desde já na realização de dois eventos: o réveillon de 2020 e o carnaval de 2021. Essas festas são cruciais para a economia da cidade e não podemos esperar muito mais para começar o planejamento de nenhuma das duas. Além disso, os projetos que dependem de leis públicas de incentivo não podem perder esse financiamento de jeito nenhum”.

Apesar da maré contrária, Moacyr mantém a chama acesa.

“De uma forma ou de outra, precisamos ter esperança. Ainda veremos o Samba do Trabalhador e todos os outro lugares lotados, com gente trabalhando e pessoas se divertindo, cantando e celebrando a vida. No fim de tudo, a cultura é isso, não é mesmo?”

Fonte: G1


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