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REGIONAL

Impeachment: Witzel quer conversar com deputados e admite a assessores ceder cargos

Diante da derrota acachapante que a Assembleia Legislativa (Alerj) impôs na quarta-feira ao governador Wilson Witzel, com 69 votos a favor e nenhum contra a abertura de um processo de impeachment, ele planeja trabalhar em duas frentes para tentar arrefecer os ânimos do parlamento.

Por um lado, pretende chamar todos os deputados ao Palácio Guanabara, individualmente ou em pequenos grupos, para apresentar uma defesa que soe convincente — e sem o chá de cadeira de até duas horas que corriqueiramente incomodava alguns dos parlamentares; uma prática que lhe deu a pecha de “soberbo” na Alerj.

Paralelamente, revelam interlocutores, vai oferecer mais espaço no governo aos deputados, tendo em vista que muitos dos que votaram a favor do processo de impeachment já possuem indicações para cargos na gestão estadual.

— Uma iniciativa complementa a outra. Não adianta oferecer espaço a um deputado se ele não puder apresentar ao seu eleitor uma justificativa plausível para votar contra o impeachment. Por isso estamos elaborando uma defesa técnica, robusta, contrapondo a denúncia que será analisada pela Alerj — diz um aliado do governador.

Witzel, no entanto, terá uma dificuldade extra para recompor a base na Assembleia. À frente da articulação política, o vice-governador Claudio Castro (PSC) anda se queixando com pessoas próximas de que está sendo alvo de fogo amigo de assessores de Witzel. Nessa guerra fria, o círculo do governador estaria produzindo um dossiê sobre Castro, uma vez que o vice seria visto como uma ameaça, por estar na linha de sucessão. Castro não acredita que a iniciativa tenha partido de Witzel, mas de pessoas ligadas a ele.

Witzel nega abrir cargos

Nesta quinta-feira, em entrevista ao “RJ TV”, da Rede Globo, Witzel negou, no entanto, que vá negociar cargos no governo para prosseguir no mandato.

— Minha relação será republicana. Não vamos trocar cargos por votos — garantiu.

Na Assembleia, a expectativa é que o impeachment só seja votado em outubro, por conta de todos os trâmites burocráticos envolvidos, como formações de diferentes comissões e audiências de acusação e defesa. Por conta dessa demora, deputados avaliam que, antes de o processo chegar ao fim na Alerj, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância à qual Witzel responde, selará o destino do governador.

— As próximas decisões da Justiça serão cruciais, a partir delas veremos para que lado a Alerj vai pender em relação ao impeachment. Pode ser que atenue, porém o mais provável, pelo que estamos vendo, é que o clima continue inflamado — avalia Jorge Felippe Neto (PSD), que afirma ter postura de neutralidade em relação ao Palácio Guanabara.

Nesta quinta-feira, durante a entrevista ao “RJ TV”, o governador afirmou que incentivou os quatro deputados de seu partido, o PSC, a votarem pela abertura do impeachment, pois o processo daria a ele a oportunidade de apresentar seus argumentos à Alerj.

— Eu orientei meu partido a votar “sim”. Não participei de nenhum ato ilícito. Respeito o parlamento e ele vai me julgar. O parlamento é que fiscaliza minhas contas. Recebo essa situação com absoluta tranquilidade. A comissão vai avaliar as provas e certamente levará ao arquivamento do processo.

Deputados da legenda ouvidos pela reportagem, contudo, afirmam que a conversa foi diferente. Contam que explicaram a Witzel que, diante da derrota esmagadora que se aproximava, não seriam os únicos a votar contra a aceitação da denúncia. Witzel, então, compreendeu e não se opôs à decisão do quarteto.

Presidente da Alerj, André Ceciliano (PT) publicará segunda-feira, no Diário Oficial, a abertura do processo de impeachment. Serão dadas 48 horas para que cada um dos 26 partidos indique um representante à comissão especial que analisará a admissibilidade da denúncia em até cinco sessões.

Para a denúncia de impeachment ser aceita, são necessários 36 votos (metade do parlamento mais um). Caso isso aconteça, Witzel será afastado temporariamente do Palácio Guanabara e julgado, depois, por uma comissão presidida pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Cláudio de Mello Tavares, e composta por dez deputados e dez desembargadores escolhidos por sorteio.

No PSL, partido com nove deputados que concentra bolsonaristas e uma ala mais próxima a Witzel, já há disputa interna pela indicação para compor a comissão especial.

—Acredito que, por eu ter apresentado denúncias mostrando a situação dos hospitais de campanha, meu nome deve ser indicado para a comissão. Meus colegas de bancada Rodrigo Amorim, Gustavo Schmidt e Alexandre Knoploch eram, até bem pouco tempo, da base do governo — argumenta Filippe Poubel.

— Vamos usar o conceito democrático. Avalio que Márcio Gualberto, Gustavo Schmidt e Alana Passos sejam bons nomes — respondeu Knoploch.

O processo de impeachment não deve terminar em menos de quatro meses. A estimativa é do deputado Luiz Paulo, que assinou, junto com Lucinha (ambos são do PSDB), o pedido de afastamento. O motivo da demora se deve aos prazos e rituais e ao recesso parlamentar. A previsão é que a Alerj suspenda os trabalhos provavelmente no dia 1º, após a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Nesta quinta, deputados cogitavam a possibilidade de o governo entrar na Justiça para tentar barrar o processo de impeachment. Ao GLOBO, Witzel negou a intenção:

— No momento, não vejo razões para fazê-lo.

Fonte: O GLOBO


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