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ECONOMIA

Governo estima que Brasil perderá 3 milhões de vagas com carteira em 2020

Mesmo com as medidas de socorro anunciadas desde o início da crise do coronavírus, o Brasil deve encerrar o ano com perda de 3 milhões de postos de trabalho formais. O número faz parte de projeções do Ministério da Economia.

Caso a estimativa do governo se confirme, será a maior destruição de vagas com carteira assinada já registrada no país. Isso faria com que o mercado de trabalho voltasse ao nível de 2010. O país passaria a ter cerca de 36 milhões de vagas com direitos trabalhistas.

O cenário previsto pelo governo significa que, em apenas um ano, o país eliminaria mais vagas do que durante três anos de crise (de 2015 a 2017), quando foram cortados 2,9 milhões de postos de trabalho. Os saldos positivos acumulados em 2018 e 2019 representaram a contratação de 1,2 milhão de trabalhadores.

Fontes próximas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliam que o total das perdas de vagas, no limite, pode chegar a 5 milhões. Segundo essa avaliação, diversos fatores podem influenciar as estimativas, como a duração das medidas de distanciamento social necessárias para conter o vírus e a efetividade de programas de manutenção de emprego criados na crise.

Nos últimos dias, o Ministério da Economia tem apresentado previsões cada vez mais sombrias quanto ao comportamento da economia este ano. Entre as projeções, a tônica se repete: quanto mais tempo sem a retomada da atividade, pior o resultado.

Na última quarta-feira, a pasta revisou sua projeção para o desempenho do PIB este ano para 4,7%, mas ressalta que se o isolamento dos que podem ficar em casa for prorrogado até o fim de junho, o tombo poderia ultrapassar os 6%. Integrantes da equipe reiteram, porém, que seguem as diretrizes do Ministério da Saúde.

Especialistas em saúde pública afirmam que o isolamento social é a única maneira de controlar a disseminação do vírus e evitar um colapso no sistema de saúde. Eles têm ressaltado que retomar as atividades num cenário de escalada da pandemia não surtiria o efeito de elevar o consumo ou preservar empregos.

No fim do mês passado, o próprio ministro da Economia defendeu que “preservar os sinais vitais da economia não significa sair do isolamento agora”. Na ocasião, ele defendeu que a retomada fosse programada e feita no devido tempo.

Na quinta-feira, em uma transmissão ao vivo com o presidente Jair Bolsonaro, Guedes disse que o governo não quer pressionar nenhum poder, mas que a decisão está a cargo dos governadores.

A equipe de Guedes agora avalia que o país vai demorar a se recuperar e só voltaria aos níveis pré-crise em 2022, ano das próximas eleições. Além disso, integrantes da pasta apontam que o Brasil deve ter pela frente uma situação de desemprego estrutural.

Um dos fatores que dificultam o debate sobre os rumos do mercado de trabalho diante da pandemia é a ausência de dados estatísticos. A última divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mensura o nível de emprego com carteira assinada, foi divulgada em janeiro com dados relativos a dezembro.

Desde então, o indicador não foi mais atualizado em razão de mudanças feitas no sistema e porque as empresas enfrentam dificuldade de repassar as informações no meio da pandemia.

O IBGE, que produz indicadores sobre o mercado de trabalho como um todo, que inclui trabalhadores com direitos trabalhistas e informais, enfrenta dificuldades para fazer o levantamento após a suspensão da coleta presencial de dados em razão da pandemia. Em março, a taxa de desemprego subiu para 12,2%, atingindo 12,9 milhões de trabalhadores.

Nas últimas semanas, o governo anunciou medidas para proteger empregos. As ações tramitam no Congresso, mas já estão em vigor. A principal delas permitiu acordo para reduzir jornadas de trabalho e salários de trabalhadores em 25%, 50% ou 70% — ou a suspensão do contrato de trabalho —, com parte da renda recomposta pelo governo. Até agora, a medida já atingiu 7,5 milhões de trabalhadores.

Outra medida foi a criação de uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para pagamento de salários de firmas com faturamento anual de até R$ 10 milhões.

Fonte: O GLOBO


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