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Governo e empresários planejam retomada do turismo no Rio após baque da pandemia

Apesar dos estragos causados pela pandemia de Covid-19, o turismo fluminense faz planos para reconquistar visitantes. Diante do cenário atual, a expectativa é que os turistas, em especial os de lazer, voltem a se hospedar no Rio e a visitar nossos cartões-postais a partir de setembro. A Associação de Hotéis do Rio (ABIH-RJ) prepara para os próximos meses uma campanha de olho em potenciais visitantes. De início, o foco da retomada estará nos vizinhos do Sudeste.

— O primeiro turista vai chegar de carro, e a nossa grande facilidade é estarmos ao lado de São Paulo. Inicialmente, as pessoas terão medo de viajar de ônibus ou avião. E ninguém pensa em turistas internacionais agora. O que a gente pensa em fazer é uma grande campanha de promoção do Rio em setembro — afirma Alfredo Lopes, presidente da ABIH-RJ.

Para o secretário estadual de Turismo, Otavio Leite, o objetivo num momento pós-pandemia é ganhar fôlego para conseguir se manter.

— A recuperação se dará sobre rodas. Os turistas dos estados vizinhos não vão para Paris tão cedo. Já o fluxo internacional só deve voltar no verão, e mesmo assim prejudicado, uma vez que os outros países também estarão se recuperando dos efeitos financeiros da pandemia. Pretendemos recuperar pelo menos 50% do faturamento do setor ainda este ano, para que as empresas consigam, pelo menos, sobreviver. Não há plano B: é preciso permitir esse reencontro dos turistas com as atrações, de forma segura. Sem eles, não há turismo — avalia o secretário.

Para incentivar o retorno dos visitantes, a Secretaria estadual de Turismo criou o selo “Rio de Janeiro Turismo Consciente”, que certifica a adequação de estabelecimentos de hospedagem às novas regras sanitárias.

Prejuízos no setor

Com o isolamento social e os principais atrativos fechados, a área do turismo sofre o impacto da crise. No período entre março e maio, o estado registrou a pior arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no setor de alojamento e alimentação em dez anos: R$ 55,8 milhões. Em comparação com os mesmos meses do ano passado, o caixa estadual recolheu R$ 59 milhões a menos de empresas ligadas ao setor, que abrange hotéis e restaurantes. O número representa queda de 51,5% na arrecadação com essas atividades.

Os dados foram levantados no site da Secretaria estadual de Fazenda, com as devidas correções monetárias a partir do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio de 2020.

Apesar de continuarem abertos durante a quarentena, os hotéis foram uma das atividades mais afetadas pelo avanço da Covid-19, que levou à proibição do banho de mar na capital e ao fechamento de símbolos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Na Rede Rio Hotéis, que administra três estabelecimentos no Centro, cerca de 50 dos 110 funcionários tiveram seus contratos de trabalho rescindidos ou suspensos. Durante a pandemia, apenas um dos hotéis, o Arosa, na Lapa, permaneceu aberto, operando hoje com 15% de ocupação.

— Esperávamos que este fosse o ano da recuperação, após a crise que se arrasta desde 2015. Estávamos fechando muitos contratos de hospedagem com empresas, especialmente petroleiras, mas, com o coronavírus, vários foram cancelados — lamenta Ronnie Arosa, diretor da rede.

A flexibilização do isolamento no Rio, iniciada na última semana, ainda não amenizou a crise. Ronnie conta que os poucos clientes são profissionais em viagem de trabalho.

— Quem está viajando são clientes corporativos, mas as empresas ainda não voltaram com força, apesar da reabertura. Esperamos receber mais gente a partir do mês que vem, mas, turistas mesmo, acho que só lá para setembro — avalia.

De acordo com a ABIH-RJ, em junho do ano passado o índice de ocupação era de 51,4% — hoje é de 5%. Segundo o Índice de Performance da Hotelaria do Rio de Janeiro, elaborado pelo Hotéis Rio, sindicato que representa o setor no município, cerca de 90 estabelecimentos de hospedagem, entre hotéis, hostels e albergues, estão com operações temporariamente suspensas.

— O plano de retomada divulgado pela prefeitura, infelizmente, não traz grande impacto para a hotelaria neste momento, já que os hotéis que desejaram manter suas operações já estavam abertos. Na ocupação imediata, o efeito é nulo. A retomada da atividade hoteleira depende da normalização da infraestrutura do destino. Ninguém escolhe um destino só pela acomodação. A vantagem é o fato de termos um calendário para trabalhar, já que antes não tínhamos definição, o que dificultava a tomada de decisões — afirma Alfredo Lopes.

O impacto da pandemia no turismo já havia sido detectado pela última Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, divulgada no mês passado e referente a março, quando foi decretado o isolamento social. Naquele mês, o Rio teve uma queda de 30,5% no volume de atividades turísticas em relação a março de 2019, à frente de todos os outros estados do Sudeste. A queda nas receitas do setor foi de 31,9%.

Cristo ainda sem data para reabrir

Apesar de a prefeitura prever a reabertura dos pontos turísticos — operando com um terço de sua lotação — para o dia 17 de julho, não há prazo definido para a retomada das atividades no Cristo, segundo o Parque Nacional da Tijuca, que o administra. No momento, o parque elabora os protocolos futuros de visitação, em parceria com as concessionárias que controlam o acesso ao Redentor. Enquanto isso, o Cristo espera de braços abertos a volta de seus mais de cinco mil visitantes diários.


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