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SAÚDE

Governadores e senadores cobram da Anvisa decisão sobre Sputink V

O governador do Piauí e coordenador do tema da vacina no Fórum Nacional de Governadores, Wellington Dias (PT) e senadores cobraram  nesta sexta  uma definição para a importação da vacina  — V , que teve o pedido negado no final de abril. Em audiência no Senado, diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  sinalizaram que há  perspectiva de uma nova análise em breve com a entrega de mais informações sobre o imunizante.

Uma nova reunião entre representantes da Anvisa e do fórum de governadores está marcada para a tarde de hoje. Ao negar a importação, a agência justificou falta  de dados sobre segurança e eficácia. O principal ponto citado pelos técnicos  foi a identificação do que chamam de adenovírus replicantes”,  que o Instituto Gamaleya, do governo russo, nega existir.

Wellington Dias reforçou a necessidade de distribuição de mais vacinas aos estados. Ele defendeu a eficácia da Sputink V , afirmou  que já foram entregues novos documentos à Anvisa e fez um apelo à  Comissão da Covid-19 do Senado ajudar na interlocução  com a agência reguladora.

 —  Nenhuma vacina  no mundo está sendo utilizada com regras normais, todas estão sendo aprovadas de forma emergencial e excepcional , é isso que esperamos no Brasil  —  disse o governador,  completando:   —  Não há como prever efeitos colaterais para nenhuma vacina (..) não bate a regra do vírus replicante que foi citado, isso causou um mal estar internacional.

Segundo o governador , os russos ficaram em uma situação “delicada”. Houve então uma reunião com o embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Kazimirovitch, para que o contrato não fosse rescindido.

 — Nós estivemos lá na Embaixada da Rússia, inclusive, convencendo o embaixador a nos ajudar para que não houvesse desistência da parte dos produtores russos em relação a essa demanda que foi apresentada pelo Brasil, essas encomendas. Externei já a minha total confiança e o meu respeito à credibilidade que a Anvisa tem  — disse Humberto Costa (PT-PE).

Na audiência,  o relator do processo na Anvisa, o diretor Alex Machado Campos, afirmou que a decisão não se restringiu a questão do  adenovírus replicante. A agência, segundo ele, pediu informações a 62 países sobre a vacina, mas  a maioria ainda não havia  começado a vacinação em massa. Ele também justificou que relatórios técnicos detalhados  não estão  disponíveis em outras agências regularizadoras internacionais. Por outro lado, Campos  ressaltou  que o processo ainda está aberto.

 —  Eu acredito que com esse movimento a partir de hoje, com as tratativas que a Anvisa estabelecer com o Fórum de Governadores, imagino também que com a própria União Química, que essas lacunas (da Spunik)  possam ser superadas, e é uma perspectiva que está no horizonte  — disse Campos.

O presidente da União Química, que irá produzir a Sputnik no Brasil, Fernando de Castro Marques, disse que o plano é produzir no Brasil  8 milhões de doses  vacinas por mês, e que quase 100 exigências que foram determinadas pela Anvisa estão sendo cumpridas. Marques também criticou o “monopólio” na produção de imunizantes entre o Instituto Butantan e a Fiocruz.

 — Essa concentração, eu acho que é uma coisa que nós  estamos pagando o preço nisso, porque acabou criando grande duas empresas e monopolizando  o negócio. Eu acho que isso é uma coisa que tem que ser revista.

Além de governadores que negociaram doses da Sputnik, o Ministério da Saúde tem um contrato com 10 milhões de doses do imunizante.  Marques garantiu que assim que a Anvisa liberar a vacina será feito ao embarque do imunizante ao país.

Indagado sobre a  nova versão da Sputnik  de uma dose só em vez de duas, batizada de Sputnik Light, o presidente da empresa disse que “seria um caminho mais rápido” para a vacianção. No entanto, não deu detalhes se há planos para produção no Brasil.

 —  Eu acho que isso talvez seja um caminho mais rápido pra gente poder disponibilizar mais vacina em um tempo mais curto –  disse Marques.

Fonte: O GLOBO


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