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Fornos investigados pelo MPF como pontos de incineração de corpos na ditadura militar são destruídos no RJ

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento para investigar a destruição dos fornos da usina de Cambaíba, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.

O órgão também apura se corpos de vítimas da ditadura foram incinerados no local, como aponta o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Claudio Guerra, no livro “Memórias de uma Guerra Suja”.

De acordo com o órgão, o processo investigatório criminal encontra-se sob sigilo e uma perícia será realizada em breve na usina.

A destruição dos fornos foi flagrada pela professora da área de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Campos, Ana Costa, no ano passado.

ela contou que sempre leva os alunos até a usina para estudar questões como a reforma agrária e disse que já tinha se surpreendido em junho de 2018, quando identificou a destruição parcial dos fornos.

“Cheguei a questionar as famílias que estavam acampando no local e elas me informaram que um grupo desconhecido foi até lá e destruiu a área”, disse a professora.

Ana disse que ficou impressionada com o que viu e, principalmente, com o curto espaço de tempo em que os prédios desapareceram.

Em 2014, o MPF chegou a ir até o local e fez uma reconstituição da forma como os corpos tinham sido incinerados

No livro “Memórias de uma Guerra Suja”, Claudio Guerra diz que pegava os corpos das vítimas na Casa da Morte, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, e transportava para a usina de Campos.

“O forno da usina era enorme, ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano”, revelou o ex-delegado em um trecho da obra.

Segundo o MPF, Claudio Guerra também é investigado criminalmente após ter confessado publicamente os crimes.

Respostas dos herdeiros da usina

Uma das herdeiras da usina, Cecília Ribeiro Gomes, diz que a informação dita por Guerra é: “fantasiosa, loucura e uma coisa impossível de ter acontecido”.

Para ela, essas denúncias não têm fundamento, uma vez que a usina não parava nunca, o que tornam improváveis os argumentos utilizados pelo ex-delegado.

Ela também afirma que a família não tem responsabilidade sobre a destruição dos fornos e atribui o fato às pessoas que ocupam o espaço irregularmente.

O filho dela, José Lisandro, também citou as dificuldades para que os fatos relatados por Guerra sejam reais, como o fato da movimentação na usina ser constante naquela época, o que impediria que tais procedimentos ocorressem sem que outras pessoas testemunhassem.

“Inclusive, uma investigação do Ministério Público do Estado descarta essa possibilidade”, diz.

No documento, assinado pelo promotor Marcelo Lessa, o órgão afirma que não há nenhum registro sério e idôneo de que tais acontecimentos possam ter ocorrido em território campista.

Fonte: G1


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