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Escolas do Rio planejam cuidados para o retorno às aulas, ainda sem data

A retomada das aulas presenciais no Rio, tanto na rede pública quanto na privada, deverá ser feita com turmas menores e com rodízio de alunos para evitar aglomerações.

Ainda não há uma data definida para o retorno às escolas, mas a expectativa é de que aconteça de forma gradual, evitando que todas as séries voltem ao mesmo tempo.

A prefeitura informou nesta sexta-feira que aguarda orientações do Conselho Nacional de Educação, mas já vem fazendo um planejamento que inclui um protocolo com medidas sanitárias. Iniciativa semelhante foi tomada pelo sindicato das unidades particulares de ensino.

De acordo com o superintendente de Inovação, Pesquisa e Educação da Subsecretaria de Vigilância Sanitária do município, Flávio Graça, não haverá salas cheias. Em entrevista ao “RJ TV”, da Rede Globo, ele disse que as aulas não devem ser retomadas até o fim de julho:

— Nós recebemos uma orientação do Ministério da Educação que coloca o adiamento por mais 60 dias das atividades escolares, avançando até o final de julho. Mas esse plano vai sofrer adaptações em função de diversos fatores.

Graça sugere um rodízio de alunos. Uma turma com 45 estudantes, por exemplo, seria dividida em três grupos. Cada um ocuparia uma sala, mantendo um distanciamento razoável entre seus integrantes. Se isso não for possível, a ideia é intercalar os dias de aula, complementando com o ensino a distância.

Preocupação no Sepe

O Sindicato de Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) vê com preocupação uma eventual volta às escolas antes do fim da pandemia.

— Para a gente, o retorno às aulas deve acontecer quando houver consenso científico de que o coronavírus não causa mais mal à população em geral. O que importa mesmo é o direito à vida dos estudantes, dos profissionais de educação e dos responsáveis — disse Gustavo Miranda, coordenador diretor do Sepe-RJ.

A questão divide responsáveis pelos alunos. Moradora do Complexo do Alemão, Maria das Graças Santos, que tem cinco filhos (matriculados na rede municipal), torce para que a retomada das aulas aconteça em breve:

— É impossível manter os meninos em casa o tempo todo. Quando vão à escola, pelo menos sei que não estão se envolvendo com coisa errada. Além disso, eles comem melhor lá.

Já uma moradora da Rocinha que tem duas filhas matriculadas na Escola Municipal Lúcia Miguel Pereira, em São Conrado, não pretende deixá-las voltar às salas de aula tão cedo.

— Perdi dois parentes para o vírus. Sinceramente, não tenho coragem de mandar minhas filhas para a escola, prefiro mil vezes que continuem dentro de casa. Se repetirem de ano, tudo bem. A saúde em primeiro lugar — disse a mãe, que pediu para não ser identificada.

Em nota, a Secretaria municipal de Educação informou que vai reorganizar o calendário escolar após ouvir todos os envolvidos nos debates sobre o retorno às aulas. A pasta destacou que, que desde o início do isolamento social na cidade, vem disponibilizando atividades remotas para os alunos.

De acordo com a Secretaria estadual de Educação, a volta às aulas em sua rede será definida em parceria com a pasta da Saúde. Esta, por sua vez, informou que avalia a taxa de ocupação de leitos e a tendência de redução da curva de casos da Covid-19 para traçar uma estimativa de retomada das atividades escolares.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio) informou que as escolas particulares estão acompanhando atentamente as sinalizações de epidemiologistas e as decisões de autoridades para redefinirem seus calendários e as condições de retorno das aulas. A entidade prepara um protocolo que prevê medidas como rodízio de turmas, frequente higienização dos materiais pedagógicos e uso de produtos descartáveis. No entanto, cada unidade terá liberdade para adaptá-lo à sua realidade.

— A possibilidade de uma eventual autorização para reabertura não significa que todas retomem ao mesmo tempo — disse José Carlos Portugal, presidente do Sinepe-Rio.

Diretor do Colégio Andrews, no Humaitá, Pedro Flexa acredita que o ensino será diferente após a pandemia:

— É possível que a escola reabra e passe a oferecer algumas atividades presenciais, mas não obrigaremos ninguém a nada, considerando que estamos em uma situação de excepcionalidade. Cada família poderá definir o momento em que se sentirá segura para deixar o aluno voltar a frequentar a sala de aula.

Em nota, a Escola Eleva, que tem unidades na Barra e em Botafogo, informou que se organiza para cumprir todo o planejamento das autoridades e que, desde maio, desenvolve um planejamento para o retorno ao ensino presencial cumprindo protocolos da Organização Mundial da Saúde. A escola contratou uma consultoria especializada em infectologia e capacitação de equipes para segurança da limpeza e da alimentação. A grade escolar também será adaptada para evitar aglomerações.

Fonte: O GLOBO


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