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REGIONAL

‘Envolveram meu nome em negociações espúrias’, diz Witzel a secretários

O governador do Rio, Wilson Witzel, enviou na manhã deste sábado uma mensagem para seus secretários de governo fazendo uma menção a um esclarecimento que irá fornecer ao Superior Tribunal de Justiça sobre os desdobramentos da Operação “Favorito”, deflagrada pela Operação Lava-Jato no Rio por meio do Ministério Público Federal do Rio (MPF), em parceria com a Polícia Federal e com o Ministério Público do Rio (MP-RJ). Witzel fez uma referência a uma suposta menção a ele durante uma escuta telefônica obtida na operação.

“Envolveram meu nome em negociações espúrias vendendo minha decisão sobre a empresa Unir, sem qualquer participação da minha parte. Agi da mesma forma como sempre fiz como juiz federal, ouvir as partes, analisei as provas dos autos e decidi conforme minha convicção. Conversas telefônicas lançaram dúvidas sobre minha honestidade, mas graças a Deus a magistratura brasileira me conhece e sabe que eu nunca fui capaz de vender, sentença ou qualquer decisão em 17 anos como juiz federal e não seria agora que eu trairia meus princípios, mas há na advocacia e na política os espertalhões para falar besteira e querer se dar bem, infelizmente. Vamos rapidamente esclarecer tudo ao STJ e acabar com isso”, afirmou Witzel na mensagem aos secretários.

Witzel também disse que os dias são difíceis, mas acredita que as ações da Justiça Federal darão paz no caminho até 2022.

“Foi muito importante que a justiça federal tenha revelado os fatos, com instrumentos que somente os juízes tem, escutas telefônicas, especialmente. Todos os acontecimentos que agora se revelam, nós darão paz  para seguirmos nosso caminho e chegar em 2022 com a cabeça erguida”, escreveu o governador.

Segundo o portal G1, a Lava-Jato do Rio enviou um ofício, na última quarta-feira, à vice-Procuradoria-Geral da República sobre supostas menções ao governador Wilson Witzel na investigação que levou à Operação Favorito. Na quinta-feira, foram presos o empresário Mário Peixoto e mais 14 pessoas.

As empresas do empresário possuem contrato com o estado do Rio desde a gestão de Sérgio Cabral (MDB)  e permaneciam durante o governo de Witzel. De acordo com o MPF, esses contratos foram renovados por meio do pagamento de propina.

Investigadores acreditam que Peixoto é o verdadeiro dono da Organização Social (OS) Instituto Unir Saúde, responsável pela administração de Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

A  Unir tinha sido proibida de fazer contratos com o poder público em outubro, após a constatação de irregularidades na prestação de serviços. No entanto, um ofício assinado por Witzel revogou a proibição. Para o MPF, não há justificativa técnica para o despacho.

Luiz Roberto Martins Soares, segundo o MPF, é o outro dono da OS. Em interceptação telefônica autorizada pelo Judiciário, Luiz comemora a decisão que permitiu a contratação da empresa pelo governo. Na medida cautelar que o MPF propôs para a operação de quinta-feira, é apresentado um diálogo no qual investiga-se uma suposta referência a Witzel durante uma conversa entre o ex-deputado Luiz Roberto Martins Soares, que segundo o MPF, seria o outro dono da OS.

“O ‘zero um’ do palácio assinou aquela revogação da desclassificação da Unir”,, disse Martins para o ex-prefeito de Nova Iguaçu Nelson Bornier durante a interceptação. Ele é pai de Felipe Bornier, secretário de esportes do governo de Witzel. Um dia antes da ligação o despacho do governador tinha sido publicado no diário oficial.

Mensagem Witzel  a secretários

“Bom dia Secretários e Secretárias. Teremos dias  difíceis pela frente, mas agradeço sempre a Deus pela proteção. Foi muito importante  que a justiça federal tenha revelado os fatos, com instrumentos que somente os juízes tem, escutas telefônicas, especialmente. Todos os acontecimentos que agora se revelam, nós darão paz  para seguirmos nosso caminho e chegar em 2022 com a cabeça erguida. Envolveram meu nome em negociações espúrias vendendo minha decisão sobre a empresa Unir, sem qualquer participação da minha parte. Agi da mesma forma como sempre fiz como juiz federal, ouvir as partes, analisei as provas dos autos e decidi conforme minha convicção. Conversas telefônicas lançaram  dúvidas sobre minha honestidade, mas graças a Deus a magistratura brasileira me conhece e sabe que eu nunca fui capaz de vender,  sentença ou qualquer decisão em 17 anos como juiz federal e não seria agora que eu trairia meus princípios, mas há na advocacia e na política os espertalhões para falar besteira e querer se dar bem, infelizmente. Vamos rapidamente esclarecer tudo ao STJ e acabar com isso. Vamos continuar nosso trabalho que está sendo maravilhoso e incomodando os adversários. Não deixarei de criticar duramente e agir contra as ações do presidente, seus deputados e seguidores que agem pra causar o caos e o desespero da nação, espalhando mentiras a todo tempo. Não vão me intimidar, muitos tentaram e continuarão tentando, mas nas sábias escrituras eu sempre busco as respostas:

“7 Mil cairão ao teu lado, e dez mil, à tua direita, mas tu não serás atingido.
8 Somente com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios.
9 Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação. Salmos.

Tomei decisões difíceis na minha vida e talvez a maior delas foi deixar  a magistratura para lutar por ideais, ajudar a construir uma sociedade melhor e não vou parar enquanto Deus permitir que eu esteja neste plano.

Obrigado pela confiança.”

Fonte: O GLOBO


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