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SAÚDE

Em dois laboratórios privados, 20% dos testes de anticorpo para Covid-19 deram positivo

Dois serviços privados de diagnóstico e análises clínicas divulgaram nesta segunda-feira dados sobre os resultados de exames de anticorpos para Covid-19 que realizaram, e o percentual de resultados positivos ficou em torno de 20%.

Na maior rede privada de exames clínicos, a Dasa, que detém 15% do mercado, uma parcela de 23% dos exames sorológicos (nos quais anticorpos revelam se o paciente teve infecção passada pelo vírus) emergiu como positiva desde abril.

A empresa afirma que, até agora, já realizou 500 mil exames para coronavírus no Brasil, metade deles do tipo genético (que detecta a presença do vírus ativo no organismo), metade deles de sorológicos. No primeiro tipo, com o exame sendo indicado apenas para casos de pessoas sintomáticas, a parcela de resultados positivos foi ainda maior, de 36%.

No Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde foi realizado o primeiro teste confirmado do novo coronavírus no país, já foram processados mais de 120 mil exames de detecção de Covid-19.

Na maioria, foram testes do tipo RT-PCR (genéticos): 84.836 deles desde o início da pandemia. Segundo o hospital, a positividade nesses casos foi de 28%.

Já em relação aos testes de sorologia, o Einstein realizou 37.219 exames e separou os resultados por anticorpos do tipo IgM (que emergem cerca de 10 dias após os sintomas) e IgG (que levam mais tempo para emergir e podem perdurar por longo período). Nos exames que mediram a presença de IgG, o resultado positivo foi de 12%. Já os que deram positividade para IgM foram 6%.

Como o Einstein tem base em São Paulo, e a rede da Dasa é muito concentrada no Sudeste (metade das 800 unidades estão no Rio e em São Paulo), os dados recentes dizem respeito ao retrato sobretudo desses estados.

O Grupo Fleury, segundo no mercado, afirma ter processado até agora aproximadamente 300 mil testes de diagnóstico de Covid-19, entre exames de sorologia e RT-PCR (de tipo genético). Os números compreendem testes realizados em 250 unidades pelo Brasil, além de 30 hospitais parceiros. O Fleury não divulgou, ainda, qual parcela de exames apresentou resultado positivo.

Segundo o Dasa, o cenário privado de análises clínicas é um termômetro útil para observar a epidemia no Brasil.

— Apesar de não serem dados saídos de um estudo controlado, o n [o número total de pacientes testados] é muito grande e relevante — afirma Emerson Gasparetto, vice-presidente da Dasa e CMO.

— Nas populações em que a gente tem uma predominância de testagem, é provável que o número fique ao redor disso — afirma o médico.

Segundo Campana, da Dasa, para interpretar os dados é preciso levar em conta também que a capacidade de exames dos laboratórios aumentou com o passar do tempo. No início da pandemia, em fevereiro, a escassez de insumos para realizar exames, como as substância reagentes do PCR, afetava mais o cenário de diagnóstico no Brasil.

Para lidar com a falta de insumos para exames genéticos tipo RT-PCR, considerado o padrão, a Dasa começou a aplicar outras duas variedades de exames dessa categoria: o Sanger, que usa uma técnica mais tradicional de biologia molecular, com materiais diferentes, e o Crispr, que emprega uma enzima normalmente usada por cientistas para editar DNA em laboratório, mais sensível que o RT-PCR tradicional.

Fonte: O GLOBO


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