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SAÚDE

Covid-19: No Maracanã, único hospital de campanha do estado tem leitos vazios apesar da fila por atendimento

“Se a gente não morrer de Covid-19, a gente vai morrer por falta de caráter dos nossos políticos. Já era previsto que autoridades e empresários iriam se valer da pandemia para roubar ainda mais a população”. A fala indignada é do vigilante Cleber Eurípedes Pereira, 41 anos, que ficou revoltado ao tomar conhecimento de mais um escândalo na área da saúde. Ele tem cumprido uma via-crúcis com a sogra Aparecida de Lourdes Firmino Monteiro, de 69 anos, que aguarda uma vaga em UTI. Enquanto isso, o hospital de campanha do Maracanã — o único do estado em funcionamento — está subaproveitado.

Erguido pelo Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), a unidade do Maracanã foi a única entregue até agora. Mas ainda opera abaixo da capacidade prevista. Na tarde desta quinta-feira, apenas 54 dos 200 leitos estavam ocupados, 37 em UTI e 17 em semi-intensivo. Outros hospitais de campanha estão em fase de construção em São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos e Casimiro de Abreu. Atualmente, quase mil pessoas estão à esperada de leitos de UTI e enfermarias na fila da regulação de vagas do Rio.

Aparecida de Lourdes, que é cuidadora de idosos, só foi atendida na UPA de Botafogo. Como a situação dela é grave, a direção da unidade vem tentando uma vaga para a paciente através da Central de Regulação de Vagas.

— A médica concluiu que ela estava com a doença após tirar uma chama de raios-X e fazer outros exames. Minha sogra está lá desde ontem (quarta-feira), mas começou a se sentir mal há mais de uma semana, com fraqueza, cansaço, febre alta e a respiração bem fraca — lembra o vigilante.

Entorno descuidado

Foram os patrões de Aparecida, que cuida de uma idosa no Flamengo, que a levaram para a UPA de Botafogo, onde ela acabou internada devido à gravidade de seu quadro.

Os investigadores do MPF suspeitam que o empresário Mario Peixoto — que faz parte do Instituto Data Rio (IDR) e que foi preso na manhã desta quinta — foi contratado pelo Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) para participar da montagem do hospital de campanha do Maracanã. O Iabas nega a informação. Mas, para os investidores, a organização social sabia do esquema criminoso.

Atualmente, existem quatro hospitais de campanha em todo o estado. Um gerido pela prefeitura do Rio, dois que foram construídos pela Rede D’Or — em parceria com empresas privadas — e o quarto, que é da Secretaria estadual de Saúde (Maracanã).

Apesar de terem sido instaladas faixas nas grades do entorno do Maracanã, alertando que ali agora é uma área de risco de infecção, nesta quinta-feira era possível ver dois PMs sem máscaras no local. Um ambulante também vendia cachorro-quente, apenas com luvas, também sem uso do acessório.

Fonte: O GLOBO


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