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ARTIGOS

Corrupção: a paciência nacional está acabando

Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)

Ninguém, exceto os delinquentes, se opõe à luta contra a corrupção, a impunidade e a cooptação do Estado, e no nosso caso a luta tem sido grande e já vemos alguns resultados com a operação Lava-Jato. Um estado infestado de corrupção está condenado a fracassar e é com tristeza que vejo o que acontece no Brasil, com políticos processados e alguns já condenados e presos. Apesar do que isso implica para alguns, sinto que estamos vendo um estado em falência, e cito um forte argumento: “97% dos crimes, de um roubo simples a um assassinato qualificado, permanecem em impunidade”. Isso mostra que, em nosso país, o sistema de justiça não é mais do que uma jogada bruta de terceira categoria.

Mas alguém precisa de mais argumentos? Eu ofereço mais três: o total de pessoas que vivem na mais triste extrema pobreza passou de 10 milhões em 2012, para 10.5 milhões no ano passado, e o encolhimento da economia no período 2015/2016 fez o contingente de brasileiros pobres aumentar para 22 milhões, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Reconheço que esses dados podem não ser precisos, mas são baseados em estudos sérios, mas em qualquer caso, pelo que vemos pelas ruas das nossas cidades, ninguém pode negar que no nosso país transborda pobreza, doença e desigualdade social.

Assim, enquanto o Brasil não se transformar, continuaremos a ser um país fracassado para os próprios brasileiros, e continuaremos sendo, nas agendas internacionais, como um país de grande riqueza, mas problemático. Continuaremos a expor-nos como um país desejável para o tráfico ilegal, para a destruição de recursos naturais ou para o tráfico de drogas. Para a dignidade, todos os brasileiros devem rejeitar esta situação. Nossos avós, pais, filhos e netos não merecem serem qualificados como tal. Não é aceitável que uma máfia meticulosamente articulada tenha nos levado a esse extremo. O objetivo deveria ser capturar pessoas corruptas para dar lugar a funcionários capazes e honestos, mas isso não está acontecendo e nossa gente já a conhece.

No contexto da luta contra a corrupção e a cooptação do Estado, devemos nos tornar intensamente ativos. Muitas capturas já ocorreram, muitos processos criminais, mas poucas convicções. E mais do que isso, no que diz respeito aos processos de extinção de domínio e redirecionamento dos recursos apreendidos, somos ainda pior. Pode não ser a solução, mas gostaríamos que todos os brasileiros vissem novas estradas, hospitais e escolas construídas com esses fundos e funcionando. Mas nada disso acontece. E, no contexto de toda essa atividade, devemos nos perguntar: qual é o objetivo mais importante da luta contra a corrupção? Eu respondo: eliminar as máfias parasitas embutidas nas estruturas do Estado para dar lugar a novas autoridades, experientes, treinadas, honestas e responsáveis. E no último ponto estamos piorando. Pelo que tristemente se vê, nós deixamos um governo corrupto para prosseguir com outro muito parecido.

E se seguimos essa rota por inércia, passaremos toda a nossa vida a julgar corruptos à medida que o país afunda em uma lama cada vez mais implacável. Algo que estamos fazendo de errado e somos forçados a assistir aos rituais processuais e as “camisolas” de força impostas por uma constitucionalidade cúmplice que impõe prazos eleitorais, que acabam por ser um cheque em branco e a principal segurança para as máfias, de modo que, no final, tudo permanece o mesmo. Paz e Bem!


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