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SAÚDE

Consórcio de prefeitos pede a embaixador da China 6 milhões de doses para vacinar professores

Em reunião virtual na manhã desta quinta-feira, prefeitos que integram o consórcio Conectar (Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras) pediram ao embaixador da China, Yang Wanming, apoio na importação de 6 milhões de doses do imunizante desenvolvido pelo laboratório Sinopharm para vacinar professores da educação básica contra a Covid-19.

Segundo o porta-voz do Conectar na reunião, o prefeito de Recife, João Campos (PSB), o embaixador sinalizou positivamente para abrir um canal direto de diálogo entre os Executivos municipais e laboratórios chineses cujas vacinas ainda precisam de autorização da Anvisa.

Além do contato com o Sinopharm, que envolve uma compra total de 15 milhões de doses da vacina BBIBP-CorV por parte das prefeituras, o consórcio manifestou interesse na reunião em iniciar negociações com o laboratório CanSino, cujo imunizante já teve autorização em países como Chile, México e Hungria.

De acordo com Campos, a reunião também serviu para tratar da criação de uma câmara comercial, com aval do governo chinês, entre o consórcio brasileiro e empresas do país asiático que produzem insumos e equipamentos necessários à produção de vacinas. A expectativa é de que os prefeitos também possam tratar diretamente da aquisição desses materiais.

— Na conversa, deixamos clara a importância de nossa relação comercial e diplomática com a China, que tem sido o país com grande capacidade de produção que mais distribuiu imunizantes para outras nações, incluindo o Brasil. No caso do Sinopharm, já tínhamos enviado uma carta de intenções em 30 de março para comprar 15 milhões de doses. A ideia é antecipar os 6 milhões para trabalhadores da educação já no primeiro semestre — afirmou Campos.

Segundo o prefeito de Recife, houve a sinalização no encontro de que tanto a Sinopharm quanto o laboratório CanSino já iniciaram a procura à Anvisa para submeter o pedido de aprovação de uso de seus imunizantes. O consórcio de prefeitos também vinha planejando adquirir 30 milhões de doses da vacina Sputnik V, desenvolvida na Rússia, mas a Anvisa não aprovou a importação do imunizante após análise na última terça.

Na reunião, os prefeitos também manifestaram interesse em adquirir doses da CoronaVac, já aprovada pela Anvisa, diretamente da China. No entanto, há um contrato de exclusividade entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, em São Paulo, para desenvolvimento da vacina no país. O embaixador chinês orientou os prefeitos a conversarem com o instituto paulista sobre a viabilidade de que o consórcio compre doses da CoronaVac produzidas na China, para complementar a produção realizada no Brasil.

Esta foi a primeira reunião entre o embaixador chinês e os prefeitos do Conectar, consórcio que reúne mais de 2,5 mil chefes de Executivos municipais.

Também participaram do encontro prefeitos de outras capitais, como Cinthia Ribeiro (PSDB), de Palmas, Gean Loureiro (DEM), de Florianópolis, que é o presidente do Conectar, e Edvaldo Nogueira (PDT), de Aracaju, que também está à frente da Frente Nacional de Prefeitos. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em tratamento de um câncer, foi representado no encontro pela secretária municipal de Relações Institucionais, Marta Suplicy.

Na reunião, os prefeitos evitaram citar diretamente novas gafes diplomáticas de integrantes do governo federal envolvendo a China. Na terça, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou durante reunião do Conselho de Saúde Complementar, sem saber que o vídeo estava sendo transmitido pela internet, que os chineses “inventaram” a Covid-19 e que a vacina produzida no país é “menos efetiva” do que imunizantes produzidos nos EUA.

— Não tratamos diretamente dessas questões, o objetivo era construir uma ponte. É claro que ressaltamos a amizade entre cidades brasileiras e a China, como Recife, que é cidade-irmã de Guangzhou há mais de dez anos. O fato é que o Brasil errou na estratégia de vacinação, deveria ter ido atrás de vários imunizantes lá atrás, e também há uma propensão do governo federal em buscar confusão. Mas agora os prefeitos vão ter um canal direto com esses laboratórios — afirmou Campos.

Fonte: O GLOBO


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