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Confiança na economia leva premier de Portugal a falar em libertação total no verão

As previsões de crescimento e os recordes de investimentos no país fazem Portugal reviver uma onda de confiança pré-pandemia de Covid-19.

Isto porque o governo tem propagado índices positivos e tenta alinhar a recuperação da economia com a perspectiva de abertura total no fim do verão europeu.

Antes moderado e na direção oposta do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que rejeitou recentemente uma volta ao confinamento, António Costa havia dito que nem o presidente poderia garantir a impossibilidade de recuo.

Na terça-feira, diante de empresários numa cerimônia de assinatura de contratos, e com números expressivos de investimentos à frente, o primeiro-ministro socialista estabeleceu pela primeira vez a fronteira antes da liberdade.

O premier assegurou que todas as previsões levam ao crescimento de 9% da economia entre este ano e 2022. O país estaria melhor preparado para sustentar financeiramente a abertura, com manutenção de postos de trabalho e criação de empregos.

– Significa que, neste momento, – em que com a aceleração da vacinação, podemos olhar para o final deste verão como podendo atingir esse momento importantíssimo para a confiança e libertação total da sociedade que é a imunidade de grupo -, nós temos já em execução um conjunto de investimentos que assegurarão o crescimento sustentado da economia portuguesa, a manutenção de postos de trabalho e a criação de mais e melhores postos de trabalho no futuro, essenciais para absorver o desemprego criado pela crise – disse Costa.

Na terça-feira, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) informou haver 377.872 desempregados registrados. Somente em março de 2020, mês do estouro da pandemia, havia menos: 343.761. O número atual desceu 6% em relação a maio e 7,1% comparado a julho de 2020.

E não foi só: Costa revelou que Portugal recebeu no primeiro trimestre o investimento privado recorde de € 6,8 bilhões (R$ 41 bilhões), numa série que só conheceu aporte melhor em 1999.

Na captação de investimento estrangeiro, o recorde pré-pandemia, de 2019, de €1,1 bilhão (R$ 6,7 bilhões), está para ser batido. Os contratos são apoiados pela Agência para o Investimento e Comércio Externo (Aicep) e somam 92% do patamar de 2019 com mais de quatro meses pela frente. O premier falou em 500 novos empregos.

Neste ponto de investimento privado internacional, as empresas brasileiras contribuíram com € 33,39 milhões, cerca de R$ 205 milhões, apenas no primeiro trimestre de 2021.

Os números da economia estão favor, mas os anúncios de Costa não contam com unanimidade no tema sanitário. Os críticos dizem que pode ser estratégia de campanha às vésperas das eleições municipais, em setembro, e do debate do estado da nação, hoje, no Parlamento. Os apoiantes ressaltam que é preciso transmitir à sociedade a esperança de um futuro normal.

Inicialmente, os especialistas entenderam que a imunidade de grupo poderia ser alcançada em meados de setembro, quando 70% da população estivesse vacinada. Atualmente, o índice ronda os 46%.

Mas a própria ministra da Saúde, Marta Temido, defendeu possíveis revisões e atualizações da previsão de imunidade de grupo diante da agressividade de infecção das novas cepas, principalmente da variante Delta, predominante nos novos casos em Portugal.

E a declaração, politicamente, seria uma tentativa de recuperar a notoriedade. Pesquisa recente da Aximage para o Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Rádio TSF mostra que a popularidade de Costa e Marcelo caíram este mês. O que pode ser explicado, em parte, pela falta de unidade entre ambos na questão pandêmica.

Mas determinar um horizonte de liberdade total é arriscado para o próprio Costa, porque abdica da cautela e assume publicamente um prazo diante das incertezas da pandemia.

FONTE: O GLOBO


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