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Cabo Frio e Arraial vão à Justiça contra Carapebus por causa de gigogas

Mutirão. Turistas e moradores ajudam a tirar plantas aquáticas da Praia do Peró, em Cabo Frio, uma das mais concorridas no verão Foto: Custódio Coimbra

Plantas aquáticas de ambientes poluídos, que vêm do Norte do estado, continuam a invadir as praias da Região dos Lago

RIO – As prefeituras de Arraial do Cabo e de Cabo Frio vão à Justiça contra Carapebus devido às toneladas de gigogas e taboas que, desde a semana passada, sujam as praias da Região dos Lagos. As plantas aquáticas, que proliferam em ambiente poluído, chegaram às praias das duas cidades após a abertura das ligações com o mar das lagoas Paulista e de Carapebus, no Norte Fluminense, a mais de cem quilômetros das áreas atingidas. Ontem, a vegetação continuava a aparecer nas praias do Peró e do Forte, em Cabo Frio. Moradores e turistas que já chegaram à região para o réveillon faziam mutirões para tentar limpar a orla.

Em Arraial do Cabo, com fama de Caribe brasileiro, foram retiradas ontem 140 toneladas de plantas apenas da Praia dos Anjos. A prefeitura da cidade entrou com uma ação civil pública contra Carapebus e o Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão federal que administra o Parque Nacional de Jurubatiba, onde ficam as lagoas.

A ação pede que a Justiça determine o fechamento imediato do canal da Lagoa Paulista — que já tinha sido fechado, mas rompeu novamente anteontem. Também requer a instalação de barreiras de contenção para reter as plantas e a retirada da vegetação que já está nas praias de Arraial do Cabo, sob pena de multa diária de R$ 200 mil.

Já a Procuradoria-Geral de Cabo Frio representou contra Carapebus no Ministério Público estadual e federal, pedindo que apurem a responsabilidade sobre o caso.

— Pretendemos propor reparação ao município de Cabo Frio pelo impacto na atividade turística e pelos gastos com limpeza e contenção da vegetação — afirmou o procurador-geral Bruno Aragutti.

Risco de inundação

Na cidade, onde foram coletadas 500 toneladas de resíduos, as plantas começavam a desaparecer, mas voltaram a surgir nas areias ontem. Em Búzios, a prefeitura afirma que a orla já foi limpa

Investigações do MPF e da Polícia Federal avaliam os danos ambientais causados. O município de Carapebus, por sua vez, alega que, após as chuvas de 13 de dezembro, com autorização do ICMBio, abriu a barreira da lagoa que leva o nome da cidade. O objetivo era conter inundações num loteamento que teve início nos anos 1970, quando a área ainda pertencia a Macaé. A prefeitura disse não ter participado da abertura clandestina da Lagoa Paulista, que tem parte da área em Quissamã e está ligada a outros corpos d’água, como a Lagoa Feia, em Campos. O entorno da área é praticamente desabitado e, segundo Carapebus, a manobra na barragem não traria benefício algum.

Procurado, o ICMBio não se pronunciou. Não foi esclarecido que órgão deveria fazer a dragagem do excesso de plantas aquáticas.


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