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ECONOMIA

Brasil fecha recorde de 860 mil vagas formais em abril, segundo Caged

Nos quatro primeiros meses deste ano o número de vagas encerradas no mercado de trabalho formal superou o total de 644 mil vagas abertas durante todo o ano de 2019. O saldo líquido de empregos formais, ou seja, a diferença entre as contratações e demissões com registro em carteira, no acumulado de janeiro a abril deste ano ficou negativo em 763.232. Este foi o pior desempenho para o período em, pelo menos, 11 anos.

Os dados foram divulgados pela secretaria especial de Previdência e Trabalho nesta quarta-feira (27). Esta é a primeira edição do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em 2020. As divulgações haviam sido interrompidas após o fechamento dos dados do ano passado, publicados em janeiro. Assim, os números são os primeiros a mostrar o impacto da pandemia no mercado de trabalho formal brasileiro.

O resultado do quadrimestre foi influenciado, principalmente, pelo resultado de abril, quando o número de empregados formais dispensados alcançou um total de 860.503. É o pior resultado para meses de abril desde o início da série histórica do Caged, iniciada em 1992.

No entanto, na avaliação do secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, tal comparação não leva em conta a situação atípica no mercado de trabalho deste ano. “Não é o resultado mais negativo, é o mais diferente. É uma pandemia que traz uma situação inusitada”, observou.

Em março, foram 240.702 vagas perdidas. Assim, desde o início dos reflexos dos impactos da pandemia no Brasil, as demissões em março e abril somaram mais de 1,101 milhão.

Vale destacar que, em meados de março, estados e municípios adotaram medidas de isolamento social, que levou ao fechamento temporário de comércios, escolas, e redução das atividades em fábricas e indústrias. Tais medidas contribuíram para reverter a recuperação do mercado formal, verificada em janeiro e fevereiro quando foram criadas 337.973 postos de trabalho.

O resultado de abril, formado por um total de 598.596 admissões e 1,459 milhão de demissões, foi puxado pelo setor de serviços. Sozinho o segmento somou 362.378 de postos fechados no mês. Em segundo lugar, está o comércio com 230.209 desligamentos.

Para Bianco, os números do Caged apresentados nesta quarta são “duros” e refletem a realidade da pandemia no país. “São números duros, mas demonstram também a efetividade da política conduzida pelo governo federal, que já preservou mais de 8,2 milhões de relações trabalhistas”, ponderou ao destacar os acordos já realizados entre empregado e empregador para a redução de jornada e salário ou suspensão contratual.

O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, acrescentou que os resultados não são “nenhuma surpresa”, uma vez que considerada a paralisação econômica. “Nenhum desemprego é desejável, mas esse é um número reduzido em relação ao potencial danoso da crise”, comentou.

Dalcolmo ainda ressaltou que que em março, apesar da forte queda nas admissões, as demissões “não tiveram uma explosão como era de se esperar”.

Já Bianco destacou que o impacto da doença no mercado de trabalho brasileiro foi menor do que o visto em outros país e “deve continuar assim”. “Não comemoro o desemprego, mas a preservação de empregos tem de ser comemorada. Temos de olhar o copo meio cheio e não o copo meio vazio. Estamos preservando empregos e renda. Esse copo está meio cheio”, afirmou.

Estímulo de contratações 

Sem dar mais detalhes, o secretário adiantou que o governo vai anunciar uma política de estímulos de contratações formais após o fim da crise. “Tudo indica que em breve estaremos saindo da pandemia e Brasil voltará a ter estímulos para contratação, esse é nosso foco”, disse.

Ele ainda comentou sobre a possibilidade de medidas para a desoneração da folha de pagamento. Na visão dele, tal ação teria impacto positivo na geração de emprego. “Mas é um tema a ser tratado pela reforma tributária. Tudo está em estudos”, ressaltou.

Fonte: CNN BRASIL


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