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Após Cabral admitir recebimento de propina em desapropriações no Açu, agricultores reafirmam desejo de ter terras de volta

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral admitiu pela primeira vez, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que recebeu propinas em obras, contratos com fornecedores e negociações envolvendo o governo do Estado.

Durante o depoimento, Cabral falou de valores ilícitos supostamente pagos durante a desapropriação da área onde foi construído o Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.

A Associação dos Proprietários Rurais e de Imóveis do Município de São João da Barra (Asprim) foi criada na época das desapropriações e desde então vem criticando a forma que elas foram feitas.

“O que agora está sendo admitido pelo próprio Cabral nós já dizemos há vários anos. Essas descobertas já nos dão uma pontinha de esperança de ter nossas terras de volta”, disse a agricultora Noêmia Magalhães, de 72 anos, membro da Asprim.

Noêmia e os outros agricultores do grupo participaram de ocupações na área desapropriada e pedem as terras de volta.

“O nosso movimento foi criado para aqueles que não queriam sair da terra, não queriam negociar suas terras. A gente bateu muito nessa tecla da desapropriação, fizemos tudo que poderia ser feito. Pode ser que eu não veja a nossa vitória, mas meus netos vão ver. Sabemos que muitas outras coisas ainda vão sair desses depoimentos dele”, explicou Noêmia.

Para Priscila Viana Alves, membro da Comissão Pastoral da Terra, que acompanhou as ocupações dos agricultores do Açu, agora está assumido o que os produtores rurais da área já diziam há anos.

“Desde o início, as desapropriações do Açu mostravam uma relação promíscua entre o Estado e a iniciativa privada. Assim que os rumores de implantação do porto começaram, os agricultores começaram a se movimentar e desconfiaram da forma com que tudo estava sendo pensado”, contou.

Segundo a Prumo Logística, atual responsável pela operação do empreendimento, o Complexo do Porto do Açu está em operação desde 2014 e atualmente conta com 13 empresas instaladas, que geram 6 mil empregos.

Sobre as revelações sobre pagamento de propina durante a desapropriação, a Prumo divulgou em nota que o processo de desapropriação para a instalação do Distrito Industrial de São João da Barra foi iniciado em 2008 pelo Estado do Rio de Janeiro e tramita na Justiça.

Ainda de acordo com a Prumo, o Porto do Açu possui um novo acionista controlador desde 2013 e Eike Batista não tem nenhuma interferência na gestão da companhia, não sendo mais acionista da empresa.

Depoimento

Sérgio Cabral confessou que recebeu US$ 16 milhões da empresa de Eike Batista durante a campanha eleitoral e que “o escritório de Regis Fichtner ganhou mais de uma dezena de milhões de reais ilicitamente na questão do porto”.

Fonte: G1

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