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ARTIGOS

Andre Uebe – O Iceberg

Andre Uebe é Administrador, Professor, PhD

Esta é uma parábola sobre o ser humano. E sua relação com Deus.

Um dia após terem inventado o barco os homens resolveram sair à navegar. Queriam experimentar está tão fascinante descoberta, que lhes abriria novos horizontes e caminhos. No começo da jornada, tudo lhes pareceu meio assustador. Mas em medida que iam vencendo os desafios, sentiam-se mais confiantes para seguir adiante e ampliar seus conhecimentos. Foram a terras distantes, até que em um determinado momento, descobriram um iceberg. Era uma nova forma desconhecida para eles. Imponente, gelada, enigmática. Aquela montanha desafiava todos os sentidos e saberes vivenciados por aqueles homens até o momento. E resolveram explorá-la.

Começaram por tentar circundá-la, queriam saber se havia uma ligação com algo mais. Descobriram que aquela massa de gelo imponente era como uma ilha, pois não se ligava a nada na superfície e, ainda, que parecia subir aos céus de tão alta. Impossibilitados de determinar a altura exata, imaginaram pelas coisas que conheciam na aldeia, que deveria ser umas 50 vezes maior que a mais alta construção que eles já haviam visto.

Quanto à temperatura, apesar de nunca terem visto tão gelado, este não era um aspecto tão inédito, uma vez que enfrentavam uma vez ao ano temperaturas baixas que os obrigava a protegerem-se de modo especial com peles e calor do fogo.

Uma ilha de gelo! Que descoberta incrível! Não viam a hora de retornar para a aldeia e contar a novidade a todos. Meses depois regressaram, e contaram sobre a novidade. Falaram sobre a ilha de gelo e até estabeleceram um culto à mesma. Pensaram que se oferecessem oferendas, os seres supra-humanos que lá deveriam habitar poderiam contribuir para o bem estar dos habitantes da ilha. E instituíram porta vozes!

Estes homens, um seleto grupo, ficou responsável por intermediar o contato dos habitantes da aldeia com a ilha agora, sagrada. Ninguém poderia lhes dirigir diretamente a palavra, pois este contato deveria ser feito apenas pelo seleto grupo de dignatários. Estudiosos da ilha, este grupo de homens sempre navegava até lá, explorava suas características exteriores. E atribuíam o movimento e às mudanças naturais no Iceberg ao comportamento dos habitantes da aldeia. Mas estavam longe de entender esta relação. Havia sim, alguma influência, mas não da maneira que imaginavam.

Então alguns homens começaram a questionar aquele monopólio. Por qual razão só alguns teriam o “privilégio” de acessar o iceberg? Por qual razão o privilégio dos intermediários? Não haveria, o povo, a capacidade de ver, ouvir, tocar e entender a nova descoberta? E um dia, na calada da noite, um pequeno grupo resolveu visitar o iceberg às escondidas. E por uma questão do destino, foram assaltados por uma forte tempestade sem aviso. Dos cinco homens, apenas um sobreviveu.

Retornando à aldeia, combalido, ele contou o que viu: em seu desatino no mar, após o barco sacudir nas águas revoltas e ele com seus colegas irem à fundo, ele pôde vislumbrar o que ninguém ainda tinha visto: o iceberg não era uma ilha, mas uma montanha. Que seguia ao fundo até perder de vista. Aquela parte externa, superficial, endeuzada, idolatrada, era apenas uma percepção reduzida de toda e profunda realizada a qual representava a nova descoberta.

Aquela revelação foi um baque. Condenado por blasfêmia, e ainda acusado juntamente com seu grupo de amigos pela visita indevida ao iceberg, teve seu nome associado à culpa, pela na do deus iceberg, pela tempestade que havia destruído a aldeia. Muitos da aldeia imaginaram que talvez o solitário sobrevivente tivesse razão. Estavam, talvez, cansados de tanto ocultismo e dogmatismo dos “dignatários da verdade” que tinham, apenas eles, como escolhidos, o direito de visitar o iceberg sem provocar “fúrias divinas”. Mas ao final se calaram.

Durante anos foram adestrados a acreditar que não eram dignos de terem uma relação direta com a descoberta. Afinal, eram o pobre povo, indigno, esquecido. Pobres mortais… E assim continuaram por muitos anos. Não estavam prontos ainda. E ainda se passariam centenários, até que uns ou outros voltassem a tocar no assunto daquele antigo desbravador, que um dia arriscou mostrar a verdade e foi considerado culpado por ousar.

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